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M&A Community no Brasil – Ed. #82 (Stage2)

Brazil 47 min read
Author
Luca Rossi

O Banco BRB impressionou ao comprar 58% do capital total do Master, 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais. O valor do negócio não foi divulgado, mas o fato relevante aponta que o preço correspondeu a 75% do patrimônio líquido consolidado da empresa, que em junho de 2024 era de BRL 4,188 bi. Se for considerar esse número, temos um cheque por volta de BRL 3,1 bi. O Daniel Vorcaro deve estar muito feliz.

Mas a aquisição mal aconteceu e já está dando o que falar. A instituição já era conhecida por seus ativos “polêmicos”, como precatórios e ações de empresas não financeiras, e CDBs bombásticos que prometiam até 130% do CDI, anunciou que esses ativos não devem ser incorporados ao BRB. Ao mesmo tempo, o Ministério Público abriu uma investigação para apurar as circunstâncias da aquisição. 

Essa quinzena também foi marcada por um aumento na taxa básica de juros, que voltou a ultrapassar o patamar dos 14% e atingiu média equivalente à da crise de 2016. Para o M&A, isso acentua o cenário de ventos mistos, mas o interesse estrangeiro pode ser a diferença entre um ano de sucessos ou de fracassos. 

Fora isso, a Edição #82 da M&A Community Brasil também traz grandes operações, como:

Confira todas as operações da quinzena no nosso deals tracker. 

Boa leitura!

Deal Tracker

TypeIndustryTargetBuyerSeller
01

Asset Acquisition

Agribusiness

1.856 ha de terras

Irani

Flopal Florestadora Palmares

02

Majority Stake

Agribusiness

Adecoagro (51%)

Tether

Private Shareholders

03

Asset Acquisition

Agribusiness

Fazenda Ressaca (37,5 mil ha, Cáceres-MT)

JBJ Investimentos

Irmãos Pedro e Alexandre Grendene

04

Takeover

Agribusiness

Frigorífico em Vila Lângaro

Cooperativa Santa Clara

Grupo Danieli

05

Takeover

Agribusiness

Hillandale Farms (EUA)

Granja Faria

Private Shareholders

06

Takeover

Agribusiness

SLC-Mit Empreendimentos Agrícolas

SLC Agrícola

Mitsui & Private Shareholders

07

Asset Acquisition

Consumer

11 unidades da bandeira Nacional (RS)

Osmar Nicolini

Carrefour

08

Takeover

Consumer

i2GO

Telefônica Brasil

Private Shareholders

09

Asset Acquisition

Consumer

Loja Dia em Cotia (SP)

Hirota Supermercados

Dia

10

Takeover

Consumer

The Vegetarian Butcher

JBS

Unilever

11

Joint Venture

Energy

Autoprodução de energia no parque solar Sol de Jaíba (MG)

Auren Energia e a Minasligas

12

Takeover

Energy

Hidrelétricas Santo Antônio do Jari (393 MW) e Cachoeira Caldeirão (219 MW)

ENGIE Brasil Energia

Private Shareholders

13

Minority Stake

Energy

Projeto Sertão Solar (35,6%), em Barreiras (BA)

Papéis Sudeste

Echoenergia

14

Joint Venture

Energy

Projetos de geração solar em BA e PI (431,88 MW)

Macquarie Asset Management

Grupo Electra

15

Takeover

Energy

UHE Baixo Iguaçu

Energo-Pro

Copel

16

Majority Stake

FIG

Banco Master (58%)

Banco de Brasília

Daniel Vorcaro

17

Minority Stake

FIG

Financeira BRB (49%)

André Luís Vieira Azin, José Ricardo Lemos Rezek, CPSB Patrimonial

Banco de Brasília

18

Joint Venture

FIG

High Growth

Kamaroopin e Igah

19

Takeover

FIG

North Capital

Grupo GCB

Private Shareholders

20

Takeover

FIG

Reolon

Alper Seguros

Private Shareholders

21

Takeover parcial

FIG

Vita MFO

Turim (através da Tori)

Gorila

22

Majority Stake

Healthcare/Pharma

NeoOrtho (51%)

Medartis

Private Shareholders

23

Minority Stake

Healthcare/Pharma

Oncoclínicas (14%)

Latache

Private Shareholders

24

Minority Stake

Healthcare/Pharma

Oncoclínicas (31,83%)

Centaurus Capital

Goldman Sachs

25

Takeover

Healthcare/Pharma

Prodiet

Grupo Nutrisens

Private Shareholders

26

Asset Acquisition

Healthcare/Pharma

Registro de toxina botulínica

Private Shareholders

Blau Farmacêutica

27

Joint Venture

Industry

Aequs Cookware Products Limited

Tramontina e Aequs

28

Takeover

Industry

Dânica (SC)

ArcelorMittal

Brazil Steel

29

Takeover

Industry

Tuper S/A

ArcelorMittal Brasil

Private Shareholders

30

Minority Stake

Industry

W-Cycle

Melhoramentos

Private Shareholders

31

Asset Acquisition

Infrastructure

15 torres da CAW

Telefônica Brasil

CAW

32

Takeover

Infrastructure

ECB

Mota-Engil

Private Shareholders

33

Majority Stake

Infrastructure

Vast Infraestrutura (70%)

China Merchants Port

Prumo Logística

34

Minority Stake

Infrastructure

VLT Carioca (4,72%)

CCR

Invepar

35

Minority Stake

Natural Resources

Campo Manati (10%)

Private Shareholders

GeoPark

36

Asset Acquisition

Real Estate

Galpão logístico de 22,7 mil m²

Galoppo

Private Shareholders

37

Minority Stake

Real Estate

Imobiliária KP (40%)

Emeg

Kleverson Passos

38

Takeover

Services

ArtRio

Dream Factory

Brenda Valasi

39

Takeover

Services

Credihome SCD

Grupo Entre

Loft

40

Minority Stake

Services

Greentech (48,5%)

Kinea

Private Shareholders

41

Merger

Services

Marcos Martins Advogados e Arbach & Farhat

42

Majority Stake

Services

Reframax Engenharia (60%)

Shinagawa Group

Private Shareholders

43

Majority Stake

Services

SMX Logistics

TIBA

Private Shareholders

44

Takeover

Services

Urban Sports Club

Wellhub

Private Shareholders

45

Joint Venture

TMT

PR Index e Network

46

Takeover

TMT

Beon Security

Trust Control

Private Shareholders

47

Majority Stake

TMT

Braavo! (51%)

Magazord

Private Shareholders

48

Merger

TMT

Carbon e Revo

49

Takeover

TMT

Casa Magalhães

Cleam Capital

Grupo Boticário

50

Minority Stake

TMT

Crypto Investidor (30%)

Transfero

Private Shareholders

51

Takeover

TMT

Digitalks

Next Group (59%) + Equity Fund Group (21%)

Fábio Horta

52

Takeover

TMT

F&I Brasil

Dealerspace

Daniel Brandão

53

Takeover

TMT

Galgo Sistemas de Informações S/A

RTM

Private Shareholders

54

Merger

TMT

Intelsat

SES

Private Shareholders

55

Takeover

TMT

Machado TI

Adentro

Private Shareholders

56

Merger

TMT

Pathfind e Fretefy

57

Takeover

TMT

Planear Sistemas

Tecno IT

Planear Sistemas

58

Takeover

TMT

Samauma Brands

Telefônica Brasil

Private Shareholders

59

Takeover

TMT

Shift

Vela Latam

Private Shareholders

60

Takeover

TMT

Vydence Medical

Grupo MedSystems

Private Shareholders

61

Takeover

TMT

Weonne

CBYK

Private Shareholders

62

Takeover

TMT

Wide Digital

NEOOH

Francisco, Cristina e Rubem Amarante

Como os juros crescentes e o interesse estrangeiro criaram paradoxos no M&A brasileiro de 2025

A taxa básica de juros brasileira chegou a 14,25%, mesmo patamar em que estava na crise econômica de 2016, e a pressão agora também se concentra na força de consumo da população. 

Não é de hoje que o Brasil é chamado de “país dos rentistas”, e aparentemente o título vai continuar por mais um tempo.

Nessa quinzena, vimos mais desdobramentos do cenário de complexidade que permeia nosso país desde o início de 2024. Os impactos remanescentes da pandemia continuam, agora somados por pressões inflacionárias persistentes (o mercado manteve a expectativa de inflação de 2025 para 5,65%, bem acima da meta de 3%), uma dívida pública que cresceu 12,2% em 2024, desafios fiscais e incertezas globais, especialmente diante de uma condução mais agressiva da política monetária nos Estados Unidos.

O cenário é de uma comunhão de fatores que já influenciam inclusive no consumo, com crescimento nos preços de alimentos e energia. Uma pesquisa da CNN Brasil mostrou que 55% dos brasileiros consideram a situação econômica do país “ruim”, evidenciando o peso da inflação persistente no dia a dia da população e o impacto negativo na percepção sobre o ambiente de negócios.

Mas está ruim também para o M&A?

Mesmo com uma economia desafiadora, Brasil vê interesse estrangeiro renovado em 2025

Vimos na Edição #81  o inverno que acometeu o Private Equity em 2024, com o AUM global caindo 2% durante o período enquanto investidores recuam. Ao mesmo tempo, vemos o crescimento na renda fixa.  No Brasil, o Tesouro Direto, por exemplo, fechou fevereiro com um aumento de 2,6% em relação a janeiro e de 24,8% sobre fevereiro de 2024. 

Ainda é difícil apontar o impacto desse cenário nas operações. Até o momento mapeamos 291 operações na T1 25, contra 374 no mesmo período do ano anterior. A tendência de desaceleração também é perceptível quando olhamos para dados globais.

A tendência é que os primeiros períodos de 2025 repitam a tendência do ano passado? Em 2024, a conjuntura interna de inflação e juros altos desencorajou investimentos produtivos de maior fôlego, o que se refletiu numa queda de 25% no número de transações de M&A de janeiro a setembro daquele ano, em comparação ao mesmo período de 2024.

Apesar das direções que os dados apontam, a médio prazo a resposta para essa pergunta é: não. A PwC vê um mercado de M&A que deve crescer em até 20% durante esse ano, em expectativas que são lastreadas em diversos pontos, especialmente à busca de ativos subprecificados e à possível simplificação tributária que, se executada de modo consistente, vai dar maior clareza aos fluxos de caixa e à precificação de negócios. 

Relatórios recentes de bancos internacionais e gestoras locais (por exemplo, Morgan Stanley e XP) apontam uma crescente rotação de capitais em direção ao mercado acionário brasileiro, motivada tanto pela perspectiva de desaceleração nos Estados Unidos quanto por um menor pessimismo político no Brasil. 

Dados da XP mostram aumento na posição comprada (long) em ações brasileiras por parte de gestores de fundos multimercado, passando de 33% em janeiro para 37% em março, ao mesmo tempo em que as posições vendidas (short) despencaram de 20% para 7%. A mesma pesquisa da XP apontou queda relevante na alocação em ações dos EUA, de 60% para 43%, sugerindo uma mudança de foco para mercados emergentes, como o Brasil.

Esse otimismo impacta até mesmo o assunto dos últimos 4 anos: IPOs. Apesar do ambiente macroeconômico desafiador no Brasil e em outros países da região, analistas veem espaço para a volta das ofertas públicas iniciais na América Latina em 2025. O balanço de 2024 foi tímido: apenas cinco companhias abriram capital em bolsas latino-americanas. No Brasil, isso não acontece desde 2021.

Foram USDm 28 levantados em 2024, uma queda expressiva em relação aos USDm 366 captados em 2023. Esse volume confirma a desaceleração já percebida desde 2021, quando o mercado viveu um pico de 52 IPOs e USD 16,26 bi em recursos.

A expectativa de que estrangeiros sejam o fator que vai impulsionar o interesse no mercado brasileiro em 2025 marcaria um momento de renovação no interesse não apenas no mercado acionário, mas em aquisições. 

Até então, a participação dos estrangeiros em transações cross-border vêm diminuindo desde 2015. Em 2025 elas correspondem a 20% dos negócios, em linha com o ano passado, que teve um total de 1.341 operações. Mas o fenômeno toma outras nuances quando olhamos para o volume transacionado. Segundo dados coletados pela butique de M&A Seneca Evercore, do início do ano até o dia 17 de de março, as operações transfronteiriças somaram BRL 27,4 bi, cerca de 85% do total movimentado no período. Isso representa uma alta de 166% ante o mesmo período do ano passado.

Expectativas otimistas colidem com dados e formam o que, por agora, parece um paradoxo. O investimento estrangeiro renovado seria o suficiente para balancear o crescente custo do capital? Como a reforma tributária vai sair? As expectativas de recuperação econômica vão se consolidar mesmo enquanto os marcadores econômicos indicam cada vez mais pressão no consumo? 

A esperança era de que 2025 chegasse com mais certezas e menos interrogações, mas abril já chegou e ainda estamos falando de paradoxos. O que é certo é a incerteza, e o receio de que ela direcione o mercado há uma mentalidade de que “às vezes o melhor deal é aquele que você não fechou”. 

Deu o que falar…

  1. A holding formada por Mobly, Tok&Stok e Guldi foi renomeada para Toky, consolidando a fusão entre as marcas. Enquanto a integração avança, a família Dubrule, fundadora da Tok&Stok, busca retomar o controle da companhia, propondo a retirada da poison pill para viabilizar uma OPA. No entanto, enfrenta resistência ao sugerir um desconto na oferta.
  2. O Cade determinou novas medidas contra a Wellhub (ex-Gympass), proibindo contratos de exclusividade com academias e invalidando acordos firmados desde 2022, por possível descumprimento do TCC. A reabertura do inquérito foi motivada por denúncias de redes como PowerLife e Tecfit, alegando práticas anticompetitivas. A Wellhub nega irregularidades e defende que seus investimentos beneficiaram o setor. A decisão do Cade permanecerá até um julgamento definitivo ou um novo acordo.
  3. O Grupo Montesanto Tavares teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça, com um passivo de BRL 2,13 bi e prazo de 60 dias para apresentar um plano de reestruturação. A crise foi desencadeada pela quebra da safra de 2021/2022 e a disparada dos preços do café, levando a companhia a recorrer a ACCs para cobrir contratos não cumpridos por fornecedores. A empresa busca consenso com credores para um plano viável e já obteve na Justiça a suspensão de execuções e garantias, enquanto negocia uma solução para manter suas operações.
  4. Com uma dívida de BRL 1,5 bi e rumores de recuperação judicial, o Grupo Safras enfrenta uma disputa pela posse de uma planta de processamento de soja em Cuiabá (MT). Foi determinada a reintegração da unidade, que era operada pela Engelhart, trading do BTG Pactual, mas estava vinculada a uma cadeia de arrendamentos entre Carbon Participações, Allos e Copagri, adquirida pelo Grupo Safras. A Carbon alega irregularidades e inadimplência contratual, enquanto a Engelhart nega ter sido responsável pela operação da fábrica.
  5. Carlos Sanchez, fundador da EMS, continua sua tentativa de expandir sua participação na Hypera, mesmo após sua oferta hostil de aquisição ter sido rejeitada em outubro de 2024. Através de seu fundo Dodgers, Sanchez já detém 6,02% das ações da Hypera e busca aumentar sua influência, articulando para indicar membros ao conselho da concorrente.
  6. O St Marche pretende protocolar sua recuperação extrajudicial em abril, focando na reestruturação da dívida financeira de BRLm 640, incluindo BRLm 363 da Hortus e BRLm 276 da holding STM Participações. A empresa negocia com o BTG e o fundo L Catterton um empréstimo DIP para quitar fornecedores e recompor estoques, além de buscar um comprador, com a Vinci Partners conduzindo o processo. Conversas com uma rede premium do Sul ocorreram, mas um possível M&A depende da formalização da recuperação.
  7. O Grupo Pão de Açúcar recebeu um pedido para convocar uma assembleia geral extraordinária com o objetivo de destituir seu conselho de administração e eleger novos membros, em meio ao crescente envolvimento de Nelson Tanure. Tanure, que possui cerca de 10% do capital do GPA, busca aumentar sua influência e promover uma fusão com o Dia, rede adquirida em 2024.

Novos fundos e captações

OwnerFundCategoryExpected AUM
01

Patria Investimentos

High Growth

Venture Capital

USDm 500

02

Plug and Play

(Non-Disclosed)

Venture Capital

USDm 50

03

Igah Ventures

Patria Igah Blend

Venture Capital

BRLm 157

04

MSW Capital

MSW MultiCorp 2

Venture Capital

BRLm 20+

05

BTG Pactual

BTG Log AAA Cajamar

Real Estate

BRLm 750

06

Yvy Capital

Fundo FIP Yvy Fábrica de Negócios

Real Estate

USDm 7.5

Market Trends

Mineração: corrida por minerais impulsiona M&A em 40%, maior número em 20 anos

As operações de M&A no setor de mineração tiveram um salto de mais de 40% em 2024, chegando a 30 transações, contra 21 registradas em 2023. De acordo com dados da KPMG, esse é o melhor resultado das últimas duas décadas, superando outros 43 setores da economia brasileira.

O crescimento é atribuído, sobretudo, ao interesse em minerais críticos e terras raras, impulsionado pela busca por descarbonização. Com a pressão para reduzir emissões de CO₂, o mercado se mostra cada vez mais aquecido, atraindo investidores internacionais. A prova disso são as 12 operações do tipo CB1, nas quais estrangeiros adquirem, de brasileiros, empresas já estabelecidas no país.

Outro fator relevante é a consolidação de empresas menores com potencial de expansão no longo prazo. Essas companhias, muitas vezes focadas em exploração de minerais estratégicos, despertam o interesse de fundos estrangeiros e players locais em busca de inovação e diversificação de portfólio.

Para especialistas, a alta na atividade de fusões e aquisições reflete o momento de transição energética e a relevância dos chamados “minerais do futuro”. Além de atender à demanda por soluções limpas, as empresas que apostam nesse segmento reforçam suas vantagens competitivas em um mercado global cada vez mais voltado à sustentabilidade e à segurança de suprimentos.

Fontes: Brasil Mineral e KPMG 

Fusões bilionárias? O que moveu o CADE em 2024 (e as apostas para 2025)

Em 2024, o CADE analisou 697 operações (um aumento de 13% em relação a 2023 e de 47% comparado a 2020). Desses casos, 92% (644) seguiram pelo rito sumário (fast-track), enquanto 8% (53) adotaram o procedimento ordinário, com 11 decisões finais do Tribunal do CADE. As transações totalizaram cerca de BRL 1,1 trilhão (USD 193 bi).

O ano passado também foi marcado por decisões e tendências do órgão regulador. O tempo médio para analisar casos em rito sumário foi de 15,1 dias (contra 12,6 em 2023), e 93,9 dias para o rito ordinário (antes 116,7), evidenciando maior eficiência. Entre os destaques do ano, estão decisões sobre “gun jumping”, como Kurumá/Govesa, em que o CADE aplicou multa limitada a 20% do valor da operação. Há exceções em situações de má-fé ou quando o valor é apenas simbólico.

Outro ponto relevante foi a definição de “grupo econômico” para fins de controle, ilustrada pela investigação Digesto/JusBrasil. O CADE afirmou que deter 20% ou mais das ações não configura controle automático, sendo necessária análise dos direitos de governança.

No setor imobiliário, o CADE avaliou se a venda de imóveis não operacionais constitui ato de concentração. Em casos pontuais, concluiu que não há notificação obrigatória, mas ressaltou que imóveis operacionais ou ativos essenciais podem exigir análise. A Bompreço Bahia levantou essa discussão formalmente, buscando maior segurança jurídica.

Em 2024, o CADE ainda abriu investigações ex officio de transações tecnológicas, sobretudo em IA, como Anthropic/Amazon, evidenciando atenção especial a parcerias no exterior com possíveis reflexos no Brasil. Por fim, a adoção do sistema e-Notifica agilizou o protocolo de operações em rito sumário, devendo ser ampliada em 2025.

O cenário indica que 2025 trará definições ainda mais claras sobre notificação de transações, “gun jumping” e operações tecnológicas e imobiliárias, demandando maior cautela das empresas em relação às regras concorrenciais.

Fonte: Mattos Filho

Serviços Financeiros estão caindo de cabeça na IA

O estudo global da KPMG sobre IA em Finanças mostrou que o setor de serviços financeiros lidera a adoção de IA, com 33% das empresas já utilizando essas tecnologias de forma parcial ou ampla. No caso da IA generativa, 17% das instituições afirmam adotá-la hoje, mas o número deve saltar para 84% em até três anos. Entre as principais aplicações estão contabilidade, planejamento financeiro, gestão de riscos e tesouraria.

Segundo o estudo, mesmo com desafios como falta de habilidades específicas, questões de segurança de dados e integração de sistemas, as instituições financeiras vêm ampliando investimentos, modernizando suas plataformas de TI e desenvolvendo governança para uso responsável de IA. Como resultado, o retorno sobre investimento tem atendido ou superado expectativas, reforçando a tendência de crescimento acelerado tanto em IA quanto em IA generativa.

Fonte: KPMG

Outras trends:

  1. O mercado de M&A no Brasil iniciou 2025 com 92 transações em janeiro, marcando uma queda de 8,9% em relação ao mesmo mês de 2024 e 37,8% frente a dezembro. Apesar da redução no volume, o valor total dos negócios atingiu BRL 21,6 bi, um crescimento de 51,3% na comparação anual. Entre os setores mais ativos destacam-se TI, Instituições Financeiras e Energia.
  2. Mais de vinte empresas de capital aberto estão enfrentando processos de recuperação judicial ou extrajudicial, um número que deve crescer em 2025 devido ao aumento das taxas de juros e o impacto financeiro nas companhias.
  3. Espera-se que BRL 22,5 bi sejam investidos até 2030 no mercado brasileiro de armazenamento de baterias aplicado junto ao consumidor, sem incluir instalações de serviços públicos; A demanda por equipamentos BESS cresceu 89% em 2024 no Brasil em comparação com 2023.
  4. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a energia solar fotovoltaica (centralizada e distribuída) e a eólica podem representar 43% da matriz em 2028.
  5. O modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) continua se expandindo no Brasil, com 42 clubes das quatro divisões nacionais já adotando essa estrutura. A transformação permitiu novos investimentos e uma gestão mais profissional, mas também trouxe desafios. 

Movimentações executivas

Indústria

Investment and Banking

Agronegócio

Intenções e Estratégias

M&A

Fundraising

Consumo

Intenções e Estratégias

M&A

Fundraising

Energia

Intenções e Estratégias

M&A

FIG

Intenções e Estratégias

M&A

Industria

Intenções e Estratégias

M&A

Infraestrutura

Intenções e Estratégias

M&A

TMT

M&A

Intenções e Estratégias

Fundraising

Saúde

Intenções e Estratégias

M&A

Serviços

Intenções e Estratégias

M&A